15 maio 2014

O "Pra Sempre" ... sempre acaba!



Um dos grandes amigos que tive na vida, e que já não está mais aqui, me disse uma vez, numa dessas conversas de fim de noite, em porta de bar, que eu, que até então acreditava piamente no “e foram felizes para sempre”, tinha que “me bastar”, que não esperar nada de ninguém, que  ser a minha prioridade e que aprendesse a pautar a minha vida nos meus sonhos, porque não se pode ter certeza de nada em relação a quem quer que seja.

Aquilo pra mim foi, apesar do teor alcoólico elevado, um banho de água fria e, de verdade, mudou completamente a minha forma de “enxergar” e viver as minhas relações. É claro que, às quatro da matina, com a make vencida e uma roska na mão, achei que ele andava amargo demais, mas nenhuma daquelas palavras saiu da minha cabeça, porque eu sempre fui do tipo que acredita em contos de fada, que sonhava com o “dois como um só”, que se doava demais e esperava exatamente o mesmo dos outros… Ou seja, eu era exatamente como 99% das meninas que, por trás de uma armadura, escondia um romantismo” incurável”.

Não é o amor que sustenta o relacionamento. É o modo de se relacionar que sustenta o AMOR!!

E era aí que estava o erro…

Conversamos sobre isso muitas vezes depois e, apesar de uma certa relutância, eu pude entender de verdade tudo o que ele tentava me mostrar.
O fato é que a gente sempre começa as nossas relações acreditando que será pra sempre e investindo tudo nisso sem ao menos  cogitar a hipótese de que, não se sabe quando ou porquê, ela pode acabar. Nós traçamos planos juntos, e esquecemos dos nossos, nós ficamos cada vez mais dependentes emocionalmente da outra pessoa, como se a nossa existência dependesse do amor dela, nós passamos a priorizar a relação e pensar como casal e não como o que nós somos: indivíduos.

Indivíduo que, assim como qualquer outro, cresce, evolui e muda. E quando muda, muda de sonhos, muda de planos e muda de amores, porque ninguém pode garantir, ninguém pode, como bem diz Raul,” jurar o seu amor”, porque sentimento a gente não controla, acontece, e quando acontece, sinto informar, não há o que fazer.

Cada uma de nós, que culturalmente fomos ensinadas a nos doar mais e mais, a priorizar o outro e a ceder sempre, precisa aprender a ser prioridade em sua própria vida, a entender que somos nós a pessoa mais importante de nossas vidas, e que isso não é egoísmo, é “autoamor” É por não entender que o “pra sempre” pode acabar, e que isso não tem como prever,  que muitas mulheres surtam quando seus relamentos acabam. Nada mais natural, já que ela deixou de ser quem sempre foi, deixou de sonhar, deixou de se priorizar, deixou de ser um indivíduo e colocou TODA a sua vida, todo o seu mundo, todo o seu “tudo” nas mãos de outra pessoa. Quando acaba ela tem o quê? Nada. Ela é o quê? Uma sombra de algo que não existe mais.

Pode parecer “racional” demais, pode parecer “negativo” até, porque a gente quer mesmo que seja eterno, mas é a realidade. Não há como prever se daqui a 2, 10 ou 20 anos  você vai amar a mesma pessoa ou se a mesma pessoa vai te amar, então, viva suas histórias, case, tenha filhos, faça como você quiser, mas sabendo continuar a ser um  indivíduo com sonhos próprios, amigos próprios, desejos próprios e vida própria.

Beijos

Ju


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