06 julho 2014

O que morre dentro de nós??


A morte não é a maior perda da vida

por Fernanda Luongo - fernanda_luongo@hotmail.com

"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos" 

citação de Norman Cousins 

É realmente muito triste quando morre uma flor em nosso jardim, ainda mais se aquela flor tivesse um significado e importância profundos pra nós. Mas, é por vezes mais triste, quando nosso abatimento pela perda daquela flor refletir em descuido com todas as outras flores que ainda estão exuberantes em nosso quintal.

Muitas vezes quando perdemos algo ou alguém, quando nossas expectativas são frustradas, quando sentimos que fracassamos em nosso propósito, passamos a acreditar que a vida terminou, e optamos por continuar apenas sobrevivendo. Nossa postura muda e decai, nossa pele empalidece, nosso coração enrijece, e passamos a ver a nós mesmos como vegetais ou zumbis ambulantes que aguardam ansiosamente pelo encerramento do contrato de experiências na Terra.

Quando a tristeza começa a te consumir, quando seu mundo passa a ser sempre acinzentado, quando sua esperança esvai-se por entre os dedos, isso significa que a morte chegou. E realmente, não há nada mais terrível do que ser morto em vida. Não há nada mais triste do que olhar as tantas outras flores exóticas que ainda habitam o teu jardim, e os outros tantos botões promissores que ainda estão a nascer sem um pingo de entusiasmo.

Morrer significa que uma fase terminou e outra nova se iniciará. A morte física significa a transição de um estado para o outro, não significa o fim. O que acontece é que muitas vezes temos uma dificuldade absurda em aceitar que algo ou alguém mudou de estado, e que não voltará mais a ser como era. Temos dificuldade em aceitar as transições da vida e com isso temos a sensação de que estamos enterrados num terreno baldio e à parte do mundo.

Como bem sabemos aquilo que acreditamos passa a ser uma realidade para nós, portanto, não importa se nossos corações continuam batendo e se o sangue permanece em constante movimento em nosso corpo, se acreditamos que estamos mortos: estamos mesmo mortos!

Dê uma boa olhada em sua vida, e pergunte- se:

- Estou vivo ou morto?
-Estou vivendo ou sobrevivendo?


Será que você parou no tempo e está apenas esperando a morte chegar? Será que você desistiu de cuidar do jardim em função da morte de apenas uma única flor?

Se assim for, será que não está na hora de olhar ao seu redor e perceber a beleza e a vida que ainda pulsa, vibra e colore sua paisagem interior?

Nem tudo está perdido. Muitos céus e terras, e muitas estradas ricas em aventuras e aprendizado te esperam ali na esquina.
Um mundo de possibilidades está bem diante de seus olhos, onde a felicidade, a alegria, a beleza e a esperança ainda imperam como senhoras soberanas.

Basta acordar do sonho e abrir os olhos. Quando você fizer isso, perceberá que as flores que antes desabrochavam com elegância e confiança, agora estão murchando inseguras de seu futuro...

Você parou de dar-lhes o cuidado necessário, e agora elas é que estão a morrer. Você poderia se achar sem valor e utilidade, mas garanto que se realmente estiver disposto a perscrutar o território ao seu redor, verá que sem você a existência não é mais a mesma. Nada neste mundo vive isoladamente, existe uma interdependência que conecta todas as coisas, de modo que se você desistir, afetará tudo e todos que estão ao seu redor.

Não deixe que a vida morra dentro de você! 



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